Nobres é um município do centro-norte de Mato Grosso, a 142 km de Cuiabá, na região da Serra do Tombador 1. O nome vem das sesmarias de Francisco Nobre, uma das três grandes propriedades coloniais que deram origem à cidade. É conhecida como Capital do Calcário: nove fábricas instaladas no município respondem por cerca de 60% da produção de calcário do estado 1.

A predominância do calcário no subsolo é exatamente o que torna Nobres interessante para quem gosta de natureza. A rocha solúvel foi esculpida pela água ao longo de milhares de anos, formando grutas, cavernas e rios de leito rochoso com água transparente. Algumas cavidades seguem praticamente inexploradas 1.

Rio de águas cristalinas entre rochas calcárias em Nobres, Mato Grosso Foto: ReginaaAlves (CC BY-SA 4.0) — Fonte

A Gruta da Lagoa Azul

O destaque do município é a Gruta da Lagoa Azul, no distrito de Bom Jardim. A caverna abriga um lago subterrâneo de água azul intensa, formado pela infiltração da água da chuva no calcário. O contraste entre a escuridão da gruta e o azul da lagoa impressiona mesmo quem já visitou outras cavernas 1.

Lagoa das Araras em Bom Jardim, distrito de Nobres, Mato Grosso Foto: ReginaaAlves (CC BY-SA 4.0) — Fonte

A visita é feita com acompanhamento de guias locais e em horários controlados, para preservar o ambiente. O acesso exige uma caminhada curta até a entrada da gruta e a descida por escadas até o nível do lago 1.

Entrada de caverna com pote cerâmico em Nobres, Mato Grosso Foto: Aolobo71 (CC BY-SA 4.0) — Fonte

História e caminhos antigos

A região de Nobres foi rota de passagem dos primeiros garimpeiros de Mato Grosso, que a partir de 1747 seguiam entre Cuiabá e Diamantino em busca de ouro e diamantes 1. Antes disso, o território era habitado por povos indígenas da nação bacairi. O povoamento inicial se organizou em três sesmarias, grandes lotes coloniais: a do Bananal, a de Francisco Nobre e a de Pontezinha. Foi da família Nobre, dona de uma das sesmarias, que nasceu o nome da cidade 1.

Dois episódios históricos marcaram a região. Em 1913, a Expedição Científica Rondon-Roosevelt, liderada pelo marechal Cândido Rondon e pelo ex-presidente americano Theodore Roosevelt, acampou numa fazenda na Serra do Tombador durante a travessia do Brasil 1. Em 1926, a Coluna Prestes, movimento de tenentes que percorreu o interior do país, cruzou o chão de Nobres a caminho da Bolívia 1. Ainda mais cedo, em 1901, a Serra do Tombador foi palco de um conflito entre tropas do estado e forças separatistas de Diamantino, e até hoje se encontram vestígios da batalha, como barricadas e cartuchos 1.

Na Serra do Tombador também existem sítios arqueológicos com pinturas rupestres, que atestam a presença humana antiga na região 1. A maior parte desses sítios não é aberta à visitação, mas a existência deles mostra como a área foi ocupada há milhares de anos.

Geografia e formação

O município fica na transição entre o cerrado e a floresta, com altitude média de 200 metros 1. Os rios Serragem e Nobres atravessam a cidade e deságuam no Rio Cuiabá, que corre mais ao sul 1. O relevo é recortado por serras: a Quitanda e a Cancela ao centro, a Santa Rita e a Cuiabazinho ao norte, e a Tombador, também chamada de Caixa Furada, ao sudoeste 1.

É a geologia que explica as belezas da região. O subsolo é dominado por calcário, rocha formada por sedimentos marinhos e lacustres. A água da chuva, levemente ácida, dissolve o calcário ao longo de milhares de anos, abrindo cavernas e criando lagos subterrâneos como o da Gruta da Lagoa Azul. A mesma rocha sustenta a economia local: a extração de calcário para correção de solo agrícola começou nos anos 1980, acompanhando o avanço da agricultura no norte do estado 1.

Como chegar

A cidade fica a 142 km de Cuiabá, com acesso por rodovia asfaltada 1. O aeroporto mais próximo é o Marechal Rondon, em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá. De lá, o trajeto de carro até Nobres leva cerca de duas horas e meia. Ônibus intermunicipais ligam a capital ao município em horários regulares.

A melhor época para visitar é a estação seca, de maio a setembro, quando os rios estão mais baixos e as águas mais claras. No período chuvoso, de outubro a abril, as estradas de terra ficam enlameadas e algumas grutas podem ter acesso restrito.

O que mais fazer

Além da Gruta da Lagoa Azul, o município oferece banhos em rios e cachoeiras na Serra do Tombador e arredores. As águas cristalinas do rio Salobra e de seus afluentes formam piscinas naturais procuradas no verão. Para explorar as trilhas e grutas, é recomendável contratar um guia local, que conhece os acessos e as condições de cada atração.

O distrito de Bom Jardim, onde fica a Gruta da Lagoa Azul, concentra boa parte da estrutura de apoio ao turismo, com pousadas e restaurantes simples. A culinária local segue a tradição mato-grossense, com peixes do Rio Cuiabá, como o pacu e o pintado, preparados em caldos e assados.

Para quem gosta de cavernas e águas transparentes, a Serra da Bodoquena, em Mato Grosso do Sul, é uma vizinha de espírito, com rios de leito rochoso e mergulhos em piscinas naturais. Mais perto de Cuiabá, a Chapada dos Guimarães combina cachoeiras, formações rochosas e trilhas. E quem quiser seguir para o Pantanal encontra em Cáceres história colonial e natureza no oeste do estado.

Dicas locais

  • Guia obrigatório para a Gruta da Lagoa Azul: o acesso é controlado e depende de acompanhamento credenciado
  • Repelente é essencial o ano todo, principalmente perto dos rios
  • Roupas leves e calçado que possa molhar para os banhos de rio
  • Combine com o Pantanal: Nobres fica no caminho de quem segue para a região pantaneira

Nobres não tem a fama de Bonito, e é isso que a torna atraente: as águas cristalinas e as grutas continuam sendo visitadas por poucos. Quem planeja uma viagem pelo centro do Brasil encontra na Capital do Calcário um roteiro diferente, com piscinas naturais e cavernas longe das multidões.


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