Monte Alegre é um município do oeste do Pará, no Baixo Amazonas, a cerca de 622 km de Belém 1. A cidade fica às margens do rio Amazonas e guarda um dos sítios arqueológicos mais importantes das Américas: a Caverna da Pedra Pintada, com pinturas rupestres datadas de mais de 11 mil anos 2.

A região foi ocupada por povos antigos no fim do Pleistoceno e início do Holoceno, muito antes da chegada dos europeus. As datações feitas na década de 1990 indicam que a ocupação humana no local se deu a partir de 11.200 anos antes do presente, com presença contínua, ainda que descontínua, até o contato com os europeus 2.

Paisagem de Monte Alegre, Pará, no Baixo Amazonas Foto: Ridiculopathy (CC0) — Fonte

A Caverna da Pedra Pintada

A caverna é mundialmente conhecida pela riqueza das pinturas, que retratam plantas, animais e até cenas de parto 2. Os estudos classificaram a arte em dois estilos: o Parime, de traços abstratos, e o Surumu, mais naturalista 2. As gravuras também se assemelham a estilos encontrados nas Antilhas e no norte da América do Sul 2.

Fotografia de Monte Alegre, Pará, tirada em março de 2024 Foto: Ridiculopathy (CC0) — Fonte

A arqueóloga Anna Roosevelt liderou as escavações entre 1990 e 1992, com datação por radiocarbono das pinturas e dos sedimentos 2. A descoberta mudou o entendimento sobre a ocupação da Amazônia, que se acreditava ter começado muito depois. Em 2014, novas escavações do Museu Paraense Emílio Goeldi e da UFOPA confirmaram a cronologia 2. Os pesquisadores encontraram também lascas de pedra e restos de alimentos que ajudaram a reconstruir como viviam aqueles primeiros amazônidas, incluindo o consumo de frutas e a fabricação de utensílios simples.

A visitação é permitida, mas controlada para garantir a conservação. Em alguns trechos é obrigatório o acompanhamento de guias especializados 2. O passeio exige disposição: a caverna fica em área de mata, com trilhas e trechos de escalada leve. Leve água e calçado fechado, e respeite as orientações dos guias sobre onde pisar e o que tocar.

A Serra da Lua

Além da caverna, Monte Alegre é marcada pela Serra da Lua, um conjunto de formações rochosas que se destaca na paisagem plana do Baixo Amazonas. A serra recebe esse nome pelas formações que lembram a superfície lunar, esculpidas pela erosão ao longo de milhões de anos. É possível percorrer trilhas curtas até os mirantes principais, sempre com acompanhamento de guias locais.

Da serra se tem uma das melhores vistas da região, com o rio Amazonas ao fundo e a cidade lá embaixo. É um bom lugar para o fim de tarde, quando a luz dourada destaca as cores das rochas. Nos meses mais secos, o contraste entre o amarelo das pedras e o azul do céu rende fotografias que não lembram a Amazônia úmida do imaginário comum.

História

O núcleo original de Monte Alegre foi a aldeia de Gurupatuba, fundada por padres da Piedade com índios da região 1. O povoado foi elevado a vila em 1758, por ordem de Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do Marquês de Pombal, e a município em 1880 1. A cidade cresceu às margens do rio Amazonas, usando o rio como estrada natural para Belém e para o interior.

Como chegar

O acesso mais comum é por Santarém, a cerca de 80 km de distância, que recebe voos regulares de Belém e Manaus 1. De Santarém, a viagem até Monte Alegre pode ser feita de carro pela rodovia, ou de barco pelo rio Amazonas, dependendo da época do ano. Monte Alegre também tem um pequeno aeroporto regional, com voos irregulares.

A melhor época para visitar é a estação seca, de agosto a novembro, quando as chuvas diminuem e as trilhas até a caverna ficam mais fáceis 1. No período chuvoso, de dezembro a maio, os acessos ficam mais difíceis e o nível do rio sobe, mas a paisagem ganha um verde mais intenso.

Dicas locais

  • Guia especializado: indispensável para a Caverna da Pedra Pintada, tanto pela conservação quanto pela segurança na trilha
  • Calçado fechado: a trilha tem pedras e trechos molhados; tênis de trilha ou bota são recomendados
  • Água e lanche: levar o próprio suprimento, pois não há estrutura na área da caverna
  • Fotografia: respeitar as regras de uso de flash dentro do sítio arqueológico
  • Onde ficar: a cidade oferece pousadas e hotéis simples; quem prefere mais estrutura combina o passeio com uma base em Santarém
  • Combinar passeios: além da caverna e da serra, vale conhecer o centro histórico e as praias de água doce do rio Amazonas na temporada seca

Monte Alegre é um destino para quem se interessa por história e arqueologia, mas também agrada a quem busca paisagem e sossego no Baixo Amazonas. A poucas horas de barco fica Alter do Chão, com as praias de areia do Tapajós, e Oriximiná, que também guarda cavernas com arte rupestre na linha do Equador. Mais ao norte, Serra do Tepequém combina cachoeiras e história dos diamantes em Roraima.


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