Maués, a 267 km de Manaus, é conhecida como a Capital Nacional do Guaraná — título oficializado pela Lei Federal nº 15.216 em setembro de 2025 1. O município de quase 40 mil km² abriga mais de 220 comunidades ribeirinhas e 38 aldeias indígenas, no coração da Amazônia.

Foto: Ana Carla Mendes (CC BY-SA 3.0) — Fonte

O Berço do Guaraná

O guaraná (Paullinia cupana) foi domesticado pelos Sateré-Mawé, povo indígena que cultivava a planta na floresta muito antes da chegada dos europeus 2. Segundo a mitologia Sateré-Mawé, o guaraná nasceu dos olhos de uma criança da tribo que foi morta por uma cobra. A semente escura com o arilo branco representa os olhos da criança 1.

Até os anos 1980, Maués fornecia 90% do guaraná consumido no Brasil. Hoje é o terceiro maior produtor nacional, com cerca de 300 toneladas exportadas por ano 1. A lenda conta que foi o suco de guaraná de Maués que inspirou a Antarctica a criar o refrigerante de guaraná em 1921.

A Festa do Guaraná, em novembro na Praia da Maresia, atrai 50 mil visitantes com shows, concurso da Rainha do Guaraná e muita culinária local 1.

Os Sateré-Mawé

Os Sateré-Mawé são conhecidos como “Os Filhos do Guaraná” e têm cerca de 16 mil pessoas, distribuídas em aproximadamente 100 aldeias na Terra Indígena Andirá-Marau, que abrange a divisa do Amazonas com o Pará 3.

Uma das tradições mais conhecidas é o ritual de iniciação Tucandeira: os jovens colocam luvas repletas de formigas-tocandiras (que têm uma das picadas mais dolorosas do mundo) e precisam suportar a dor por 10 minutos. O ritual precisa ser completado 20 vezes ao longo de meses ou anos para que o jovem seja considerado um guerreiro 3.

Cachoeira do Amana e Natureza

A Cachoeira do Amana é o principal destino de trilha na região. A queda d’água no meio da floresta amazônica é acessível por trilha com guia local 4.

O município contém sete áreas protegidas, incluindo partes do Parque Nacional da Amazônia, da Floresta Nacional de Pau-Rosa e da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Urariá 4. A biodiversidade é comparável às regiões mais preservadas da Amazônia.

Como Chegar

A maneira mais prática é voar de Manaus para o Aeroporto Regional de Maués (MBZ) — 45 minutos de voo 1. Há também duas opções fluviais:

  • Lancha rápida: 7 horas de Manaus pelo Rio Amazonas e Maués-Açu
  • Barco regional (recreio): 18 horas, mais barato e mais demorado

De carro, não há estradas asfaltadas ligando Maués a outras cidades — a BR-230 (Transamazônica) passa no extremo sul do município, mas é de terra e está em más condições 1.

Melhor Época

A estação seca, de junho a novembro, é a melhor para visitar. A navegação fluvial é mais tranquila e as trilhas têm melhor acesso. Novembro é o mês da Festa do Guaraná, com a cidade lotada. De dezembro a maio chove mais e as estradas vicinais ficam difíceis, mas a vegetação está no auge do verde 1.

Dicas Práticas

  • Vacinas: Vacina contra febre amarela é recomendada; profilaxia contra malária deve ser avaliada com um médico
  • O que levar: Repelente (essencial), protetor solar, lanterna, roupas leves de algodão, saco impermeável para eletrônicos
  • Dinheiro: Leve dinheiro em espécie — caixas eletrônicos podem falhar
  • Guias: Para visitar as aldeias Sateré-Mawé, contrate um guia autorizado e peça permissão antes de fotografar
  • Não compre ouro ilegal: A região tem garimpo ativo — escolha produtos de guaraná dos produtores locais

Para quem quer explorar mais da Amazônia, Barcelos (AM) é a primeira capital do Amazonas no Rio Negro e Presidente Figueiredo (AM) tem mais de 100 cachoeiras perto de Manaus.


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